Fast Fashion e o foco competitivo

Missão empresarial internacional aos polos de moda italiano

Rodrigo Bessa

O projeto Foco Competitivo realizado pelo SEBRAE, em parceria com o SINVESD, enviou missão empresarial à Itália para visitar pequenas empresas que transformaram o modo de criar e produzir moda; transformação essa que ficou conhecida por fast fashion. A missão terá suporte técnico da empresa DIOMEDEA, cuja equipe é coordenada pelo economista Enrico Cietta, autor do livro "A Revolução do Fast-Fashion - Estratégias e modelos organizativos para competir nas indústrias híbridas". 

Os integrantes da missão participaram de palestra e workshop preparatório no final do mês de abril na sede do SEBRAE em Divinópolis-MG. A missão partiu no dia 05 de maio, com membros do SINVESD, Antônio Rodrigues; SEBRAE, Leonardo Mol e FIEMG, Afonso Gonzaga, bem como empresários de várias indústrias de confecção: Sassafrás, Kangarrô, Phillipi Drumont, Silvânia Mares, KF2, Pitukinha, Paulina Borges, Candida Ferreira, Agton e Mac Giant.

A história do fast fashion italiano, expressão traduzida para português que significa moda rápida, nasceu em pequenas e medias empresas que inicialmente não tinham marca própria, mas conheciam o mercado. Essas empresas construíram marcas respeitadas através de estratégias para conhecer ainda mais os consumidores italianos de moda, bem como criou uma vasta cultura de produto e cooperação, além de ampla rede de serviços para atender a cadeia por meio de centros de inovação, sistemas de crédito, associativismo, logística, entre outros.

As empresas que foram visitadas compõem dois grupos: empresas voltadas para a produção e empresas voltadas para a comercialização. As empresas dos distritos produtivos de Prato, Carpi e Verona, compõem a cadeia têxtil e as empresas dos distritos comerciais de Centergross na Bologna, Cis em Napoli compõem a cadeia comercial.

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Capa do Livro

De acordo com o consultor italiano, economista e sócio-diretor da Diomedia, Enrico Cietta, para atender o mercado de moda rápida a coleção deve interagir com o consumidor final.

- Primeiramente o designer, a produção e o distribuidor trabalham sempre juntos. O designer ao desenvolver uma coleção deve interagir com o consumidor e lojista. Por mais que você esteja atendendo uma necessidade de consumo rápido, é importante investir no design e na autonomia estilística, ao mesmo tempo com muito atenção nos custos. O design se desenvolve em ciclo continuo e ajuda a distribuir no risco da estação. As coleções Fast Fashion tem 40% de design comercial, 30% de peças da estação paralela e 30% de produtos básicos - expõe Enrico.

Foto: Divulgação

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O consultor italiano Eurico Cietta lança livro sobre o modelo de produção Moda Rápida

Maurício Mansur, sócio-proprietário da agência Avano Marketing e comunicação, afirma que a classe C virou público-alvo da maioria das marcas.

- A classe C virou a queridinha do mercado, pois todo mundo quer vender para esses consumidores. Porém, muitos empresários ainda não sabem que esse público não quer a última moda. Esses clientes procuram mais qualidade nos produtos básicos, roupas que transmitem status e as marcas são fundamentais. Segundo pesquisas de mercado: 47% valorizam marcas de roupas, 63% marcas de perfumes e 54% marcas de calçados - revela Maurício.

O gestor do projeto do Sebrae, Leonardo Mól de Araújo, diz que o projeto é de longo prazo para ser implantado.

- O plano de trabalho vai até 2013, não estamos dizendo que seremos referência de moda rápida, pois estas ações demandam longo prazo. O Sebrae é parceiro deste projeto, mas o grande parceiro é o setor confeccionista de Divinópolis. Portanto, as empresas que se inscreveram estão participando dessas estratégias - conclui.

Foto: Divulgação

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Empresários, designers e estudantes lotam auditório da Fiemg Regional para a Palestra sobre Fast Fashion