Uma breve história do jeans

O produto que saiu das minas de ouro e se tornou o uniforme do dia a dia

Rodrigo Bessa

Segundo dados da ABIT, o Brasil é o segundo maior produtor de jeans do mundo e movimenta cerca de 8,2 bilhões de reais por ano no país. Tradicional, slim fit, semibaggy, tigh ou CUT boot, oversized: esses são apenas alguns dos estilos comercializados pelo mercado de moda. Para entender o sucesso do produto é necessário conhecer a sua trajetória.

A história do jeans teve três versões: a primeira aponta o surgimento do produto calça no oeste dos Estados Unidos, a segunda considera a origem na França e a terceira diz que as primeiras peças, apareceram na região portuária de Gênova, na Itália.

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Os livros de história da moda apontam o nascimento da calça jeans a partir da ousadia de Levi Strass e Jacob Davis que utilizar em suas roupas um determinado tipo de lona, de aplicação muito comum na cobertura de certas construções. Porém, o termo “denin” surgiu da França no final do século XVI derivado da expressão “serje de Nîmes” e a palavra jeans é de origem inspirada em Gênova, na Itália. Os marinheiros genoveses chamavam suas calças de trabalhos de “genes” que era uma espécie de abreviação do nome da cidade portuária italiana. Eram espécie calças feitas com tecido de fustão de algodão misturado com lã ou linho. Na época era comum nomear um material pelo seu lugar de origem.

A corrida pelo ouro na década de 1840 na Califórnia, Estados Unidos, atraiu milhares de europeus para região. Em 1845, um alemão conhecido com Levis Strauss chegou à região como dono de um armazém que vendia lonas para armar tenda, cobrir carroças e vagões. Ao perceber que o mercado estava saturado, ele teve a genialidade idéia de confeccionar calças dessa lona para os garimpeiros. Logo, o produto foi aceito, pois era produzido com tecido resistente.

As calças criadas por Strauss tiveram interferência do alfaiate Jacob Davis, em 1872, que teve a idéia de colocar rebite de metal nos bolsos, usadas pelos mineiros, para não rasgarem com os pesos do ouro. Ele fez um acordo com Levis, e em 20 de maio de 1873, os dois se tornaram sócios e patentearam a idéia.  

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Os cowboys de jeans nos anos 1930

Em 1930, os cowboys passaram a usar o jeans como uniforme e o cinema americano ditou moda com os filmes de faroeste. Mas o produto só passou a ser comercializado em grande escala muito mais tarde, a partir de 1940, após se tornar mais macio por meio de um processo de lavagem com pedras conhecido como Stone wash. No início apresentava uma coloração marrom e em função da demanda passou a ser tingido de azul. Com o passar do tempo, transformou se no famoso índigo blue.

A partir da década de 1950, através da influência do cinema e do rock n´roll. O ritmo frenético do rock conquistou os jovens através do ícone Elvis Presley, que usava sempre calças jeans com barras viradas para fora. Quando astros como James Dean, Marilyn Monroe e Marlon Brando, apareceram nas telas vestidos peças jeans que criavam looks totalmente ousados e rebeldes para a época, conquistou a atenção dos jovens que se identificaram com o comportamento.

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Na década de 1960, o visual jeans era moda e atraiu também a atenção de adultos das várias camadas sociais, que adotaram o jeans para compor um estilo casual, um tipo de estilo conceituado como despojado e cotidiano, que mantinha o charme e a elegância no vestir.

As marcas Levi´s, Lee e Mustang se tornaram reconhecidas no mercado, mas foi o americano Calvin Klein, o primeiro designer a colocar a calça jeans na passarela na década de 1970, o que causou impacto e até mesmo indignação aos mais conservadores.

Porém foram os grupos sociais como hippies, punks, roqueiros e rappers que alteraram o estilo tradicional do produto, criaram peças com bordados, aplicações, efeitos, estampas, símbolos e outras formas de modelar as calças.

As grandes marcas a partir deste momento se inspiraram nos estilos variados dos grupos e deram continuidade a esse conceito informal e até mesmo rebelde do produto. E cada estação, as calças aparecerem com novas silhuetas, beneficiamentos, lavações e design ousados.  

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